Desejo apenas uma palavra que defina este que sou agora. Talvez, traduzindo-me em palavra, possa entender o que se passa.
Levianamente, um sentimento apropria-se de mim, toma-me por completo e me confunde.
Evoco do mundo das palavras aquela que traduza esse sentir.
Mas elas, antes amigas e confidentes, agora parecem me rejeitar. Algumas acenam de longe, zombando de mim e dessa minha ausência. Outras são mais cruéis e passam enfileiradas, ao meu lado, as gargalhadas, sem ao menos cumprimentar-me!
Tento tocá-las, mas conheço o olhar que me lançam. É o mesmo olhar que me corrói o peito.
É o adeus nos olhos.
Sem elas, resta-me pouco. Porque embora eu estivesse só, ainda as tinha como companheiras.
Desejo apenas uma palavra, nada mais.
Talvez seja saudade, mas vai além disso. Além da falta.
A palavra que busco não tem som, tem a cor do vento e o tamanho do infinito.